f
Memórias gustativas podem remeter à decisão de um bom cardápio. Pelo menos foi assim que o chefe americano Jeremiah Tower conduziu a cozinha californiana nos anos 70 ao lado de Alice Waters proprietária do histórico Chez Panisse, palco da revolução da cozinha californiana. Das longas viagens ao lado dos pais por nações longínquas, o pequeno Jeremiah guardou boas memórias gastronômicas de onde passava. 

O documentário original da Netflix traz o requinte do chefe desde o começo, quando ainda recém formado como arquiteto, Jeremiah até já tinha o Know-How por sempre ter preparado bons pratos aos amigos, mas não tinha o título de chefe. Com narração do ilustre chefe americano Anthony Bourdain ❤️ o documentário é belíssimo, todas as fases do chefe desde a infância à maturidade, suas percepções e experiências nos dá a oportunidade de conhecer essa personalidade ilustre.




Dizer que uma comédia é boa pode ser muito raso, pelo menos no meu ponto de vista. Quem me conhece sabe que sou insuportavelmente crítica quando o assunto são filmes, séries, músicas ou qualquer outra produção pública. Mas isso não quer dizer que sou perita no assunto, convenhamos, sou espectadora, só isso bebê. Adooro comédias, desde "The Party" (1968) com o adorável Peter Sellers às atrapalhadas da Melissa McCarthy. 

Pensando no assunto busquei por algumas referências e produções de comédias de qualidade. Assisti "The Errand Boy" (1961) com Jerry Lewis no papel de Morty, um funcionário pra lá de desajeitado, não poderia deixar de citar nosso ícone da comédia Grande Otelo em "Macunaíma" (1969) e por último não menos importante, meu também ídolo estimado Mazzaropi, "O Jeca Macumbeiro" (1974) e "Jeca contra o capeta" (1975) são os meus preferidos. A comédia é boa quando há essa soma, os diálogos envolventes, os atores dão vida aos personagens e a história segue real, como se fosse uma rotina contada por um amigo próximo. Assim é o "Método Kominsky"  (2018), uma série de comédia da Netflix. O protagonista é um professor de teatro, Sandy Kominsky, interpretado por Michael Douglas e Allan Arkin como Norman, melhor amigo de Sandy. Ambos são uma dupla e tanto, existe uma casualidade entre Sandy e Norman que é cativante. 


Os diálogos são a cereja do bolo. Tem uma cena extremamente engraçada, Sandy tem uma filha, Mandy que namora um cara sexagenário quase a idade de Sandy. O cara é Martin (Paul Reiser), ele sofre um infarto durante um encontro com Sandy e Norman. No hospital Norman com sua personalidade catedrática e nada terna, começa a falar sobre medidas preventivas para Mandy, a menina fica um tanto assustada e diz para o pai: "Faça-o parar de falar, por favor!", "- Estou tentando há anos", responde Sandy. Além disso, no elenco também está Kathleen Turner como a ex-mulher de Sandy e Danny DeVito como o urologista. Vale a pena assistir cada episódio! 




Passeando pela Netflix em um domingo depois do almoço, os algoritmos do streaming me expuseram uma sequencia de conteúdos inéditos no feed diário. E lá estava a série do cantor mexicano Luis Miguel. Cliquei na hora. Até porque algumas das mais célebres canções de Luis Miguel acompanham a minha memória junto às grandes festas na casa da minha avó Antonia. Quis assistir.

Com base em entrevistas, fatos que se tornaram públicos e no livro do escritor e jornalista Javier León Herrera "Luis Mi Rey, La apasionante vida de Luis Miguel" (1997). A série é atemporalmente dividida em duas fases da vida do cantor, cuja interpretação fica a cargo do cantor e ator mexicano Diego Boneta, conhecido pelo personagem "Rocco" da novela mexicana Rebelde (2004 - 2006) e também pelo personagem "Drew Boley" do musical "Rock of Ages" (2012) contracenando ao lado do meu amado e talentosíssimo Tom Cruise. Bom, como estava falando, a série começa mostrando a infância difícil do cantor, as dificuldades que a família enfrentava, praticamente sobreviviam devido às apresentações do pai que também era cantor à maturidade, o estrelato, o rompimento com seu pai e outras desavenças. 

Mas como nem tudo são flores e estamos falando de um bom drama mexicano baby, a série enfatiza logo nos primeiros episódios quem é o grande vilão da história. A sensação de desprezo pelo pai, Luisito Rey é dominadora e a submissão da mãe do cantor, Marcela perdura até o seu desaparecimento. Algumas curiosidades são citadas durante a produção e a interpretação de Diego Boneta é impressionante assim como a do ator Óscar Jaenada como Luisito Rey. Há personagens carismáticos que roubam a cena, como César Bordón, no papel de Hugo Lopez, empresário e amigo do protagonista e da secretária de Luisito, Rosy Esquivel interpretação da atriz Vanessa Bouche. Assim é a série, um bom drama mexicano com pitadinhas de romance, adultério e injustiças conjugais.

Ando

Às cegas, sonâmbulo, cambaleante.

Pelos paralelepípedos, sem tropeços. O santo é forte.

Não desabo, se caio, oro em santo, sigo adiante.

Na trilha ora escura, ensina, aprendo em luz, sem medo da morte.







Sonho

Tudo está escuro, deve ser um pesadelo aterrorizante,

Luto para acordar, não consigo, me sinto fraca.

Tento voar, não posso, minhas asas foram cortadas.

Caminho longo que começa me assustar,

O que eu farei se isso nunca acabar?


Sempre tive afeição pelo sobrenatural, a possibilidade da existência de realidades paralelas são propostas sedutoras aos olhos dessa escritora que vos comunica rs. O livro que apresento hoje é das antigas. Lembro de ter folheado ainda na infância rs . A obra fazia parte da coleção do meu tio Xéu, todo santo mês tio Xéu trazia um novo exemplar da coleção. 

A coleção da Editora Abril remete à Time Life Books, uma coletânea brilhante com temas instigantes. Toda a diagramação e ilustrações assumem uma responsabilidade de enaltecer o tema o que de certa forma, torna a leitura ainda mais surpreendente. Com a colaboração do professor  de sociologia Marcello Truzzi, da University Of Eastern Michigan, o exemplar que trago hoje também é fruto do trabalho do Fotógrafo britânico Simon Marsden, ilustre por seus registros fotográficos incomuns em preto e branco, Marsden captava a atmosfera taciturna dos ambientes por onde passava. E cinco dessas passagens estão registradas em "Encontros Espectrais". E uma delas são as ruínas do Castelo de Wilton.


Sir Simon Marsden



As Almas do Castelo  de Wilton

Arquivo de Marsden
Erguendo-se na paisagem do sudeste da Irlanda, impõem-se as majestosas ruínas de um castelo. Até ser destruído totalmente por um incêndio, no comecinho da década de 20, o castelo de Wilton abrigou inúmeras gerações da Família Alcock, proeminente na região desde o século XVII. A se acreditar nas lendas locais, há um número considerável de fantasmas morando lá agora.

Uma das histórias fala sobre luzes que, às vezes, são vistas nas ruínas de uma das torres do castelo, onde uma mulher idosa, que fora a seu tempo atriz, morreu num incêndio. Uma outra lenda conta, que a alma de Harry Alcock, morto em 1840, é avistada partindo muito devagar numa carruagem fantasmagórica. 

O relato mais estranho, no entanto, é sobre um vizinho, Archibald Jacob, que servia como magistrado e era também capitão de uma milícia local à época da rebelião contra a Grâ-Bretanha, em 1798. Jacob açoitou e torturou muita gente na paróquia. Uma noite em 1836, quando regressava de um baile no castelo de Wilton, Jacob sofreu uma queda de cavalo e morreu. Depois disso durante vários anos correram rumores de que sua alma assombrava o castelo. Um dia um padre católico foi chamado para exorcizar o castelo, no momento em que fez o sinal da cruz, há relatos da aparição do fantasma de Jacob na lareira, sumindo em seguida em uma névoa. 

O Cavaleiro sem Cabeça

Outro destaque de "Encontros Espectrais" é a menção da lenda escocesa, "O Cavaleiro sem Cabeça", o enredo sombrio até serviu de inspiração  ao renomado diretor Tim Burton para o filme "Sleepy Hollow" (1999)🖤

Na Escócia, os membros do Clã Maclaine, do distrito de Lochbuie, evitavam a todo custo ouvir à noite um tropel de cascos e o tinir de rédeas. Eles temiam encontrar um cavalo espectral conduzido por um cavaleiro sem cabeça, que anunciava mortes iminentes. O nome do cavaleiro era Ewen. Ele era filho e herdeiro do chefe do Clã Maclaine, mas invejava as riquezas do pai e pôs-se a hostilizá-lo. Houve muitos desentendimentos ao longo dos anos até o ponto de decidirem a liderança do clã em um duelo. Em 1538, pai e filho conduziram seus seguidores à batalha. Mas de maneira estranha Ewen foi decapitado por um dos seguidores do pai.


Retrato de uma dama
Charles Dickens 

Embora o romancista Charles Dickens se irritasse com a paixão vitoriana pelo espiritualismo, o autor gostava de escrever a respeito do sobrenatural. Um de seus contos ,publicado junto com outro três contos com o título "Quatro Histórias de Fantasma", no periódico "All The Year Round", acabou transformando uma realidade tão estranha que até mesmo seu cético autor convenceu-se de que dera um esbarrão no sobrenatural.

A história de Dickens se passa no ano de 1861 e diz respeito a um retratista da alta sociedade, cujo nome era mencionado como Senhor H. O retratista viajando de trem para uma mansão no interior encontrou no dia 13 de setembro uma jovem de aparência frágil. Depois de uma breve conversa, ela lhe pergunta se ele sabia pintar alguém de memória. O artista responde que não tem certeza, mas que talvez seja possível.


"Bem", ela diz, "olhe para mim outra vez". Talvez tenha que reproduzir minhas feições. "O senhor H estuda a fisionomia da moça atentamente, em seguida despedem-se. Dois anos depois, um certo Wylde faz uma visita ao pintor e pergunta-lhe se seria capaz de pintar um retrato baseado numa descrição. O visitante passa então a descrever a filha, morta há dois anos, de quem deseja um retrato. O artista tenta alguns esboços, sem sucesso. Aí, num momento de inspiração, ele desenha a jovem que conhecera no trem. "No mesmo instante", escreveu Dickens, "um olhar de reconhecimento e prazer iluminou o rosto do pai que exclamou: 'É ela!' " O artista perguntou quando a filha do senhor Wylde morrera e o homem responde: "Há dois anos; no dia 13 de setembro." 

Poucos dias depois da publicação, Dickens recebeu uma carta extraordinária de um retratista, informando-lhe que o conto All the Year Round coincidia, nos detalhes mais espantosos, com uma experiência real sua, experiência que ele relatara por escrito com intenção de publicar. O encontro com a jovem no trem e o pedido posterior do pai para pintá-la constavam no relato do artista que, naturalmente, pensou que Dickens tivesse de alguma maneira ficado sabendo da história e se apropriado dela.

"Principalmente porque", escreveu o indignado retratista em sua carta a Dickens, "de que outra forma a data 13 de setembro, poderia estar certa se eu nunca a mencionei, até pôr tudo no papel?"

"Ora, a minha história", narrou Dickens depois, "estava sem data; mas, ao repassar as provas, percebi a importância de ter uma data: escrevi, inconscientemente o dia e mês exatos à margem da prova!"

Entre essa e outras histórias espectrais o livro narra muitos episódios assustadores, fantasmas de guerras, castelos assombrados. A ilustração das histórias são muito ricas em detalhes. Toda a coleção trata de assuntos pertinentes à curiosidade, em breve conto mais sobre os outros livros. Beijinhos!